O Grande Buda Tian Tan acima de montanhas enevoadas na ilha de Lantau

Templos e o Grande Buda em Lantau

No momento em que o teleférico desliza sobre a crista e as montanhas da ilha de Lantau se abrem sob os teus pés, algo muda. O ruído de Hong Kong desvanece-se. A névoa flutua entre os picos. E de repente percebes porque é que os monges escolheram esta ilha, há séculos, como lugar de meditação.

De uma cabana de palha ao Mosteiro Po Lin

A história começa em 1906, quando três monges de Jiangsu chegaram ao planalto de Ngong Ping. O seu primeiro «mosteiro» não era mais do que uma cabana de palha — chamavam-lhe simplesmente a «Grande Cabana». Em 1924, sob o abade Ji Xiu, tinha-se tornado o Mosteiro Po Lin, o «Precioso Lótus». Hoje é um templo vivo: o incenso enrola-se no ar da montanha, os monges cantam nas salas e os visitantes entram num ritmo de devoção que continua há mais de um século.

Como o Grande Buda subiu a montanha

O famoso vizinho do mosteiro — o Buda Tian Tan — foi concluído em 1993, e a sua construção é uma história por si só. Originalmente planeada em betão, os engenheiros perceberam que a estátua seria demasiado pesada para o cume. Foi então fundida em bronze: 202 peças no total. A maioria subiu de helicóptero — mas o enorme rosto era demasiado delicado. Viajou de camião e grua, uma viagem de três dias de roer as unhas pelas estradas sinuosas. Hoje o Buda ergue-se 34 metros acima de Ngong Ping, olhando para norte em silenciosa dignidade.

Os visitantes sobem 268 degraus para chegar até ele. À volta da estátua ajoelham-se seis Devas, oferecendo presentes que simbolizam as seis perfeições do budismo: generosidade, moralidade, paciência, meditação, sabedoria e diligência. Um belo lembrete de que a iluminação não é um ato único, mas um caminho — percorrido passo a passo, como aqueles 268 degraus.

As três salas sagradas

Dentro da base do Buda esconde-se um complexo espiritual de três salas por onde a maioria dos turistas passa a correr: a Sala da Memória, que guarda uma relíquia do Buda Gautama oferecida pelo Sri Lanka; a Sala do Universo, que celebra o Buda como mestre universal; e a Sala do Mérito Benevolente, que honra doadores e devotos. Tira dez minutos aqui — é o sítio mais tranquilo de toda a montanha.

Guardiões, reis e dez mil Budas

No próprio mosteiro, os Quatro Reis Celestiais guardam o Dharma, cada um com o seu símbolo — uma espada, uma pagode, até um instrumento musical. À entrada, o risonho Maitreya, o Buda do futuro, dá-te as boas-vindas, enquanto o blindado Skanda monta guarda em frente. E não percas a Sala dos Dez Mil Budas, concluída em 2014: cinco grandes Budas sentam-se em majestosa quietude — não cinco figuras separadas, mas cinco aspetos da própria iluminação: verdade, clareza, igualdade, compaixão e perfeição.

A figueira-da-bengala e um lanche bem merecido

Fora da sala ergue-se uma poderosa figueira-da-bengala — as suas raízes aéreas entrelaçadas parecem uma floresta inteira, e no entanto é um único organismo vivo. Os locais constroem pequenos altares na sua base para os deuses da terra. Aponto-a sempre aos meus hóspedes: uma metáfora perfeita da interconexão budista. E antes de deixarmos Lantau, um ritual é sagrado para mim como guia: uma paragem na banca de lanches vegetarianos do mosteiro. A espiritualidade, afinal, também se encontra na alegria de partilhar comida.

💡 As dicas de insider do Hans

· Sobe pelo teleférico Ngong Ping 360 (reserva uma cabine Crystal com chão de vidro) e desce de autocarro — as melhores vistas nos dois sentidos.
· Chega antes das 10h para evitar as multidões nos 268 degraus.
· Combina com a aldeia piscatória de Tai O — há autocarros diretos de Ngong Ping.
· O almoço vegetariano do mosteiro é simples, barato e genuinamente bom.

Porque adoro guiar aqui

Das humildes origens de uma cabana de palha à grandeza do Grande Buda, das salas sagradas aos simples lanches — em Lantau, cada passo conta uma história. Se quiseres ouvi-las todas em pessoa, com tempo de sobra para fotos e perguntas, escreve-me. A montanha está à tua espera.

Hans, accredited Hong Kong tourist guide
Sobre o Hans

Guia turístico acreditado de Hong Kong (TIC) e residente desde 1994. O Hans guia em alemão; a sua rede de colegas licenciados cobre mais 13 idiomas. Todas as reservas são geridas através da agência de viagens licenciada Excella Travel (HK) Ltd, Licença n.º 351074.

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